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Caren Castencio: A primeira voz negra e feminina eleita pelo povo para assumir a Câmara de Bagé

Vereadora chega para marcar seu nome na história política da cidade

Em 21/11/2020 às 07:07h
Viviane Becker

por Viviane Becker

Caren Castencio: A primeira voz negra e feminina eleita pelo povo para assumir a Câmara de Bagé | Social | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Arquivo pessoal

No pleito deste ano, apenas duas mulheres foram eleitas para a Câmara em Bagé, para legislar entre 17 vereadores. Elas são a minoria, mas têm força suficiente para lutar e mover montanhas em prol dos seus ideais. Em relação a gênero, a vereadora Karen Santos (PSOL) foi a mais votada da capital gaúcha este ano, com 15.702 votos. O feito se repete em outras capitais, mostrando o empoderamento das mulheres. Essa também foi uma eleição histórica para a população LGBTQI+ e negra no Brasil.

As mulheres negras representam 27,8% da população brasileira, entretanto têm baixa representatividade na política. Em 2020, 90 mil mulheres negras disputaram as eleições municipais, 23% a mais que em 2016. 

A primeira mulher negra a ser eleita para uma Assembleia Legislativa no Brasil foi Antonieta de Barros, em 1934. De lá para cá, os avanços são inegáveis, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Em 1996, Porto Alegre elegeu, Nega Diaba, a primeira – e até hoje única – mulher negra eleita para o marcar presença no plenário da Câmara gaúcha.  Em Bagé, Santa Geneci da Silva, a "Santinha", foi a primeira mulher negra a assumir cadeira na Câmara, entrou como suplente, não havia sido eleita.

No momento em que se celebra a Consciência Negra, marcando a importância das discussões e ações para combater o racismo e a desigualdade social no país, temos o prazer de entrevistar Caren Castencio, a primeira mulher negra eleita pelo povo de Bagé.

Hoje, nossos leitores poderão saber o que pensa e quem é a mãe da Camila, Bruna e Laura, esposa do Jonas Rutz, uma mulher de 47 anos, que honra a profissão. Caren é professora da rede municipal de ensino há 25 anos, Licenciada em Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar, que estará, nos próximos quatro anos, ouvindo e defendendo os bajeenses na casa legislativa.

Para quem não conhece sua trajetória profissional, saiba que ela foi supervisora de escola, coordenadora do Projeto Rodarte, coordenadora Pedagógica da SMED, secretária Municipal de Educação, coordenadora do Gabinete de Relações Comunitárias da Prefeitura, membro da diretoria do SIMBA e do Sinprofem, atualmente professora da pré-escola e vice-diretora da EMEF Telmo Candiota da Rosa.

Quem é Caren Castencio? Mulher negra, mãe, professora, ativista dos direitos das mulheres, das pessoas negras e LGBTI+ e da juventude. 

Essa é a tua primeira eleição? Que motivações te levaram a disputar o pleito de 2020?  Participo de todas as campanhas eleitorais há décadas, mas esta é a primeira eleição que disputo. Tinha uma grande inquietação entre os professores municipais, aumentada em 2020, especialmente porque a atual gestão deixou de cumprir a Lei do Piso Salarial do Magistério. A opinião geral era de que faltava um representante da Educação na Câmara para fazer a defesa do magistério. Meu nome acabou surgindo como uma das possibilidades que poderia contribuir com a defesa, já que tive experiência na gestão da educação e no sindicato. 
 
Mulheres negras são 28% dos brasileiros, mas têm baixa participação política. Chegastes levantando a bandeira da oposição e marcando a história política da nossa cidade. A que agregas essa vitória? Qual é o sentimento de quem conquista um lugar, até então, jamais ocupado em Bagé?
Embora eu sinta um justificado orgulho por ser a primeira mulher negra eleita para a Câmara de Vereadores (faço referência aqui à Dona Santinha, que ficou na suplência mas chegou a ocupar o cargo de vereadora), é com humildade que vou desempenhar a função. Ao mesmo tempo em que fico alegre pelo destaque que acabei alcançando, vejo a dimensão da importância do trabalho a ser desenvolvido. Da mesma forma que o racismo, o preconceito de uma forma geral e a violência dos discursos avançaram e perderam a vergonha, aumentou também a resistência. É por isso que vimos no último domingo um grande número de eleitos oriundos desses segmentos minoritários (ainda que negras e negros não sejam minoritários em número, são minorias políticas, dada a baixa representação nos espaços públicos). Pessoas trans, negras e negros, militantes LGBTI+, maior número de mulheres, enfim... pessoas que historicamente foram marginalizadas, estigmatizadas e invisibilizadas agora reivindicam seu espaço e encontram suporte numa sociedade que não aguenta mais ver crescer a onda fascista que assola o mundo.  Mulheres e negros são mais da metade da população, mas estão longe de serem metade nos espaços de decisão e poder. São minorias políticas que têm suas vidas impactadas por decisões tomadas que não consideram suas opiniões, suas vivências, suas experiências, suas necessidades. O mesmo vale para minorias religiosas, sexuais e de gênero, para pessoas com deficiência, para a juventude. Aprendi durante a campanha a expressão “Nada sobre nós sem nós” e ela vale muito para esses segmentos. Eu pretendo construir um mandato parlamentar onde essas pessoas vão encontrar voz.

"Para te ouvir e defender" esse foi o slogan da tua campanha que converteu 1.016 votos no urna. Como pretendes atuar nos próximos quatro anos?
Ouvindo e buscando que mais pessoas se engajem na discussão política e no debate da cidade que queremos. Eu assumi compromissos com as pessoas LGBTI+, com os servidores públicos, com a agroecologia, com pequenos comerciantes. Para que eu possa defender políticas públicas para eles, antes eu preciso conhecer suas demandas e construir junto com eles a minha atuação parlamentar. É da minha personalidade dialogar, talvez seja até uma característica dos professores em geral – e o diálogo e a escuta serão a base do meu mandato.

Como defensora da educação e profissional da área, essa deverá ser uma pauta primordial do teu mandato? Será uma pauta importante do meu mandato, afinal o magistério é a base do meu apoio. Foram meus colegas professores que me trouxeram para a disputa por um espaço na Câmara, então a luta para que o governo municipal cumpra sua promessa de pagar o piso salarial do magistério vai estar entre as minhas prioridades. Mas não serei vereadora de uma bandeira só.

Em um ano marcado por inúmeros episódios de racismo no Brasil e no mundo, como tu avalia esse momento e a luta antirracista?  Tem-se a impressão de que os casos de racismo aumentaram, mas o que acontece agora é que eles estão sendo registrados, filmados. Quem tem essa cor da pele sabe que o racismo está na estrutura do estado brasileiro e enraizado profundamente na cultura, todos nós negros e negras, sentimos isso ao ligar a TV, ao pisar fora de casa, ao entrar num restaurante. Mas o Estado e a cultura podem ser mudados, daí o papel essencial que a educação tem na superação da ignorância e do ódio. A luta antirracista tem conseguido cada vez mais espaço em ambientes onde a única voz antes escutada era das pessoas brancas. 

Apesar de ser a maioria da população brasileira, as mulheres negras são apenas 2% do Congresso Nacional e menos de 1% na Câmara dos Deputados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Tu acredita que estarás incentivando outras mulheres a seguir o teu caminho?
Acredito e desejo que sim e – mais do que tudo – vou trabalhar para isso, envolvendo a juventude negra e as mulheres negras. Para que eu fosse a primeira, outras tantas pessoas negras tiveram que abrir o espaço que me garantiu chegar neste momento. É minha tarefa fazer o mesmo. 

Mensagem final....  "Vou trabalhar para que o mandato que vai levar o meu nome seja visto como o lugar onde vai estar 'uma de nós'. Com alegria e serenidade, mas com força e firmeza, vamos fazer da Câmara de Vereadores um lugar mais plural."

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