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José Carlos Teixeira Giorgis

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Ainda Macedônio

Em 19/11/2020 às 11:27h, por José Carlos Teixeira Giorgis

A busca por Macedônio Borges, autor bajeense de obra policial, trouxe perplexidades ante às malsucedidas pesquisas que vinha fazendo. Nada em sebos ou cronistas da literatura gaúcha, nada em álbuns de endereços. Terá mesmo existido? Ou foi piada do escritor de quem ouvira o nome? É conhecido episódio sobre um empreendedor rio-grandense, até homenageado pelos deputados, criado por um grupo de jornalistas. Não seria o mesmo? Como o escritor da Livraria Predileta talvez conhecesse Jorge Luís Borges, por brincadeira, não teria jungido sobrenomes com o de Macedônio Fernandez, que tanto influenciara ao intelectual platino? Decepcionado com o fracasso, vieram anos, mudanças, outras atividades. Esqueço Macedônio Borges.

Houve um tempo que as férias se gozavam nas lagoas das estâncias, depois no Cassino, outros nas praias uruguaias. Por adequação monetária tocou-me Maldonado, cidade histórica e de referência, uma das mais antigas da América. Ali aconteceram importantes fatos históricos, gosto especialmente de visitar a casa onde esteve Darwin em seu caminho para Galápagos, o farol. O Estádio Municipal, onde assistira jogo da Copa América. A Catedral San Fernando. A parrilla de Lo de Rubens. 

Era tarde de chuva, o que proibia areia, sol e vista larga. Aproveito para flanar pela cidade, suas ruas cravejadas de nomes de heróis, parques e lojas. Entro no Centro Cultural onde se anunciava uma exposição das armas de Lavalleja, tudo sob olhar sério e conspícuo de Artigas. Era uma mostra interessante que exige passeio demorado e atento. Quando caminhava pelos corredores do antigo quartel vejo, ao longe, num dos cantos, um armário, móvel pequeno, mas com livros. Logo imagino, pela natureza do lugar, que se trate de obras para liceu ou história local, apropriadas à mostra.

Na época assaltava uma dúvida sobre Chiquito Saravia, abatido na Batalha do Arbolito, em 23 de março de 1897 e que teria sido sepultado, trajeto entre Melo e Trinta e Três, pouco distante do túmulo de seu cavalo, à esquerda da estrada de quem viaja para o interior do Uruguai. Não confirmei a lenda, o Arbolito é sítio de significação histórica, um monumento, apenas a lembrança povoa o extraordinário espaço para a “carga de lança”, sedução e grito sufocados na garganta do irmão de Aparício e Gumercindo. Minha curiosidade estava satisfeita pelos dados de Carlos Soriano e sua “História del Uruguay”, obra que manuseei durante expressivo tempo.

Quando reponho o livro, pelo costume, navego o olhar pelas diversas prateleiras, e, de repente – não mais que de repente, como diria o poeta – dou com uma tênue brochura e um nome: Macedônio Borges. Que sensação. O coração trepida, sim, mistura de prazer e pânico. As mãos tartamudeiam em sezão. Finalmente. O tesouro estava comigo. Ávido, mas cuidadoso, retiro, e com cuidado, a joia omissa. Busco mesa para exame mais acurado. Estava impressa em “pulp”, ou papel polpa”, amarelado, tipo pólen, método bastante seguido nas revistas de detetives, crimes e horror, tipo Ellery Queen.

Pelo toque recordo a sensação quando, nas primeiras férias na campanha e na fazenda da prima Dalva Beltrand Ferreira, no Jaguarão- Chico, deparei com a enorme quantidade de “X-9”(*), exemplares que se acumulavam num quarto dos fundos: e onde descobri os melhores contos policiais. Terá sido intencional, e coincidente pelo autor a escolha deste material apontando pista para quem o tivesse influenciado? É possível.

Imponho o dever de fazer a arqueologia da obra. A capa, em tom fulvo, continha três expressões. Bem acima o nome “Macedônio Borges”. No meio o título: “ O Crime da Rua Barão”. No rodapé, “Typographia do Povo, Bagé”   e num canto   a data, “1923”.

A primeira página reproduzia o frontispício. Na segunda página, o branco abrigava apenas uma dedicatória, “Para Juan Melendez, companheiro de tantas aventuras”. A assinatura era pouco legível, quase apenas um M e um B floreados, sem mais letras cursivas. Isso explicava a procedência do livro e sua doação à Biblioteca da Intendência de Maldonado. Despreocupei-me em descobrir Juan Melendez, pois já se passavam mais de cento e oitenta anos. E o sobrenome era bastante comum o que não encorajava outra busca. Embora as boas relações internacionais não consegui fazer carga para eventual leitura doméstica e cópia, sendo-me alegado tratar-se de publicação especial como seus companheiros daquela estante.

Quedei em rabiscos que tentarei reproduzir de memória, pois também se esvaneceram pelos anos passados ao desabrigo de cautelas necessárias. Contudo acredito que Macedônio Borges, além de pioneiro na literatura policial em Bagé, foi também o predecessor do livro-reportagem sobre um fato concreto, o crime da Rua Barão. Afinal, que fato foi esse?

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(*) A Revista X-9, existiu a partir de 1941, editada pelo jornal O Globo, inspirada em publicação americana e onde luzia o “Morcego Negro”, baseado no “Agente Secreto X-9”, de tira de quadrinhos imaginado pelo escritor Dashiell Hammett, um dos maiores escritores de literatura policial, cujo personagem era o investigador Sam Spade do clássico “O Facão Maltês”.        

 

  

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