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José Carlos Teixeira Giorgis

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A rocha negra e Zitarrosa

Em 26/11/2020 às 14:10h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Rocha Negra.

São Gabriel ficou muito desabitada durante a guerra com o Paraguai, pois o contingente militar ali aquartelado era expressivo, quase dois mil homens. Finda a luta regressam diversos regimentos, comandados por chefes registrados na história castrense, como João Propicio Mena Barreto, João Manoel Mena Barreto, Emílio Luiz Mallet, Manoel da Cruz Brilhante, Manoel Deodoro da Fonseca e outros. Em 1873 era expressivo, ali, o número de militares maçons. Impunha-se a fundação de uma oficina. Que surge em 25 de junho de 1873, sob a liderança do Dr. Jônatas Abbot Filho, médico militar, Francisco Chaves, também médico e o português Joaquim Coimbra, além de outros preclaros cidadãos gabrielenses. Nasce a “Rocha Negra”, nome oriundo de um grês característico dos terrenos carboníferos do município. No dia que a loja é regularizada pela comissão presidida pelo Conde de Porto Alegre, o venerável Abbot, mais Sebastião Barreto Pereira Pinto Filho e Luiz Gonçalves das Chagas (Barão de Candiota) libertam quatro escravos, empenhando-se todos, daí em diante, em extinguir a servidão no município. A Rocha Negra passa a destacar-se em diversos movimentos políticos do estado e país, merecendo hoje o título de “ A Legendária”.

A Grande Loja.

Em 1927 havia insatisfação no mundo maçônico com o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, duas potências a que as oficinas estavam vinculadas. Em 8 de janeiro de 1928, por inspiração do Conselho, reúnem-se quatro lojas em congresso, em Bagé: Amizade, local; Rocha Negra, de São Gabriel; Fraternidade, de Pelotas (entre os representantes o Dr. Breno Brandão Fischer que mais tarde exerceria com brilho a advocacia na cidade; e Rubens Freitas Wayne, parente de Pedro Wayne); e a Caridade Santanense, de Livramento. Funda-se, então, a Sereníssima Grande Loja do Rio Grande do Sul. O destacado membro da Loja Amizade Eugênio Oberst, é eleito 1º Grande Vigilante. As sessões congressuais tiveram lugar na Loja Amizade, cujo venerável Claudionor Borges de Abreu teve presença saliente. Mais tarde a oficina bajeense se desgarra da Grande Loja e incorporando-se ao Grande Oriente do Rio Grande Sul, o que merece (injusta) crítica do historiador maçônico Kurt Prober.

José Pedro de Moraes Cerveira.

Além de sua atividade espiritual, filosófica e iniciática, a maçonaria sempre se preocupou com a filantropia e ação social, destacando-se, aqui, sua inclinação para o ensino e educação. Em muitas cidades cursos de alfabetização, noturno ou profissionais, e outros são criados e amparados pelos maçons. Veja-se o exemplo da Universidade de Passo Fundo, cuja mantenedora é uma fusão de duas entidades, a Pró-Universidade, de origem maçônica, e Consórcio Universitário Católico, ligado ao bispado. Em Pelotas, o Colégio Pelotense e a Faculdade de Direito, têm no nascedouro o sinal do triângulo. E outros exemplos. Em São Gabriel, em 1907 os membros da Rocha Negra criam uma escola noturna para os filhos de irmãos e adultos desvalidos. A iniciativa progride, transforma-se na Escola Rocha Negra, que funcionava na Sala dos Passos Perdidos da entidade e depois em Curso Ginasial e finalmente no Curso Ginasial Noturno “15 de Novembro”, em 1948, hoje Colégio Estadual XV de Novembro. Entre os que compunham o primeiro corpo docente da escola estava o professor José Pedro de Moraes Cerveira, mais tarde aqui aluno e mestre da Faculdade de Direito que também abrigaria sua esposa e filhos (entre eles, hoje professores e dois magistrados).

Alfredo Zitarrosa.

Quando volto do Uruguai sempre trago na guaiaca algum disco dos Olimareños, Pepe Guerra, Piazola, Fito Paez. Desta vez apenas Zitarrosa, um dos expoentes da canção latino-americana (ouçam “Doña Soledad”). Pois numa das tardes pré-pandemia conversava no Memorial do Judiciário com o companheiro Demétrio Xavier, ele um dos maiores conhecedores e intérpretes de Atahualpa Yupanqui. A charla era sobre “Stefanie”, composta por Zitarrosa quando o uruguaio estava num festival em São Paulo, ao que parece inspirada em “uma mujer muy hermosa dedicada a ala prostitución”, brasileira, que sonha voltar ao lar e casar, despreocupada com os preconceitos da sociedade. Nos versos Zitarrosa canta “ Stefanie, yo ayer estaba solo y hoy también/ pero em mi cama, há quedado el perfume de tu piel. Te veo salir, correr por el pasillo del hotel. / La vida es cruel, Stefanie/ Stefanie, hay uma sombra oscura tras de ti...” Música de protesto? Social? Ou apenas de ternura e desapego? Era o que Demétrio explicava. Eu tinha no colo a longa biografia de Zitarrosa que o colega emprestara. Baixo o olhar para o livro. E o abro, aleatoriamente. E cai na página 207, onde Alfredo conta a história de Stefanie....

 

Leituras: A Rocha Negra, de Morivaldo Calvet Fagundes, 1e, Londrina: Editora A Trolha, 1989; Cantares del Alma, a biografia definitiva da Alfredo Zitarrosa, de Guillermo Pellegrino, Buenos Aires: Planeta, 2003.

 

                               

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